terça-feira, 3 de março de 2009

Tempo tempo tempo dia dia dia

Cochise César, que mau humor, dizer que o tempo não se comemora.

Bom, na verdade, o tempo, por si só não tem gosto nem cheiro nem cor. E sendo assim, tenho que concordar contigo. Sob esse ponto, e só.

Quando eu comemoro, além de beber, comer, reclamar, não-comemorar ou ainda anti-comemorar, meu espírito dá um grito animal, e baba um pouco, meio besta. Definitivamente é um marco.

É como uma escada - o espaço entre o anterior e o posterior fica bem delimitado: Degrau.
Pra quem não pode subir escada, inventaram a rampa.

Ou vai ver que foi o contrário, no princípio era rampa e fizeram a escada depois, pois na rampa não havia como sentar e descansar.

Jooooooovem

A juventude, meu amigo
é uma virtude que nos vêm
sem esforço algum, fazer
E eu posso dizer sem perigo
que cuidar da juventude
sendo jovem para sempre
é que dá um trabalhão.
Honrar o contrato
e não ser só mais um
que vive a vida para nada
ouvi, vê, pra tudo tem um.
Ei, Dunga, vai tomar no cu!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Recebi de um amigo
uma notícia nada mal
nada boa, eu diria,
também, por sinal

Fiquei sem fome de repente
meu coração disparou
refleti por um mormente
instante de desatenção.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quando eu fizer 10 mil dias.



Dia 17 de outubro de 2011.

Eu não faço mais aniversário
conto meu tempo de dez em dez mil
e quando vai precisar
conto de cinco ou mil só
Vou preparar uma festa
quando o domingo chegar
beber demais
comer demais
viver demais.

Quando eu fazia ANIversário
à cada translação eu vinha à tona
pra respirar um pouquinho
escutar um Neil Young
e me encher de ilusão
pra dar mais uma volta no Sol.


Num domingo, bem no dia do Senhor!
10 mil dias vou fazer
que vou escutar quando acordar?
quem vai saber sou eu
e cada um sabe de si melhor que ninguém.

É tempo bastante pra transformar

o mundo,dez mil canções
Cante uma canção quando acordar
No final das contas,
dez mil dias

são dez mil rotações.








ouvindo Neil Young - Cowgirl in the sand

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A guiar Amanda

Saber todas as canções que se quer
tudo de cor e à cores
coisa de gente dizer
quando se vive, sem dores.

eu gostei quando eu vi
da prima vez já sorri
quis olhar mais um pouquinho e,
preguiçoso que sou
voltei de novo pra ver
teve que ser assim,
demorou, mas eu li.

Tudo.

Agora vou tomar banho
refletindo o texto, pois
não importa se é nova
se é platina, se é estanho
muito mais um vinho à dois.

Sardas,
manchas rosas, pony tail
inda bem que c existe
gente assim não fica triste
conta história pro papel.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O silêncio

Olhos de pôr-do-sol
Cabelos crepusculando
Falava como o silêncio
E o dia foi esquentando
Gente esperando na praça
gente no palco cantando
falantes, como silêncio
Cabelos crepusculando
Encosto.
Encosta também.
Ouve mais uma canção.
É linda. Aposto que tem
um cheiro pra cada estação
quero-te em mim, primavera
pra cantar com violão
Nem me importa o silêncio
Falar não precisa não
No fim eu te enxergo por dentro
Pensamento. Transmissão.
Nunca pensei que era tanto
e agora sempre que eu lembro é mais
Falante como o silêncio
Cabelos crepusculando

Foi tipo morder uma nuvem
Explica talvez
Silêncio se fez
novamente nós mudos
Outra vez.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ressaca - Luis Fernando Veríssimo

"Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.

Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.

Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.

Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.

Por exemplo:

Um cálice de azeite antes de começar a beber -- O estômago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.

Tomar um copo de água entre cada copo de bebida -- O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.

Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta -- Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.

Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene -- Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.

Uma cerveja bem gelada na hora de acordar -- Por alguma razão o método mais popular.

Canja -- Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar, no entanto. Muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.

Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no deposito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.

A pior ressaca era de gim.

Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.

Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.

Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.

Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.

Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.

Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.

Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.

Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.

De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.

Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.

Um brinde.

E um Engov."